Rio - A chefe da diplomacia dos EUA, a secretaria de Estado Hillary Clinton, se reuniu ontem, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, além de visitar o Congresso. Um dos assuntos mais delicados foi o apoio do Brasil ao programa nuclear do Irã, principalmente durante o encontro com Amorim.
Depois da reunião, Hillary Clinton insinuou à imprensa que o Irã está manobrando a boa-fé do Brasil, da Turquia e da China e defendeu a adoção de novas sanções contra a república islâmica no Conselho de Segurança da ONU.
O Irã assegura que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas algumas das grandes potências mundiais acreditam ter evidências que ele tem objetivos militares.
LULA QUER NEGOCIAR
“Estamos observando que o Irã vai ao Brasil, à Turquia e à China e conta histórias diferentes para cada um. Pessoalmente falando, só depois de passarem as sanções no Conselho de Segurança é que o Irã vai negociar de boa-fé”, afirmou a secretária americana. Como sinal de que não se dobraria à pressão, Amorim insistiu em uma solução negociada e rejeitou a ideia de que o Brasil estaria sendo “enrolado” pelo Irã. Horas antes do encontro de Hillary com Amorim, Lula comentou a posição brasileira em relação à questão nuclear iraniana: “Não é prudente encostar o Irã na parede. É preciso estabelecer negociações com aquele país. Quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: usar energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã for além disso, não poderemos concordar”.
Além da questão nuclear iraniana, Hillary também fez lobby pelos caças americanos F-18 Super Hornet para equipar a FAB, e negociou com o Brasil algumas divergências comerciais e eventual visita do presidente Barack Obama.
Elogios ao benefício extra do Bolsa Família de tucano
Depois da dura reação da líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), contrária à proposta tucana aprovada na terça-feira, que prevê benefício extra ao aluno que tiver bom desempenho escolar, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou o projeto do Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). “Se todo o mal que o meu governo causou são os meus adversários aprovarem melhorias na política social, ótimo. A ideia da oposição pode ser boa porque é um incentivo a mais para a criança estudar”, disse Lula, ressalvando, porém, que a proposta deve explicar também de onde viria o dinheiro extra para pagar às famílias de alunos com bom desempenho.
O ex-prefeito do Rio Cesar Maia comentou que a vinculação do Bolsa Família ao bom desempenho na escola “é um grave equívoco conceitual”. Segundo o ex-prefeito, pai do presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia, há confusão entre assistência social e educação.